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É verdade que a maçã é mais eficiente que o café para tirar a sensação de sono ?


 

O estado de alerta ou a sensação de tirar o sono tem sido observados após a ingestão de determinados nutrientes, através dos alimentos ou de suplementos, sendo os mais comuns: café, cacau, chocolate, chá-preto, chá-verde, semente de guaraná e espécies do gênero Cola usadas em refrigerantes. Esse efeito ocorre em decorrência da ação da cafeína presente nesses alimentos.

A cafeína (1,3,7-trimetilxantina) é um derivado de xantina totalmente absorvida pelo trato gastronintestinal:

 No organismo humano a cafeína é metabolizada principalmente no fígado, sofrendo reações de N-desmetilação e oxidação no carbono- 8 , produzindo derivados do ácido úrico. A velocidade de metabolização da cafeína varia com a idade, características genéticas, exercício, moléstias, fármacos, dieta, intensidade, frequência de consumo, presença de tabaco e álcool, sendo em geral, sua meia vida de 3 a 5 horas. Tanto a cafeína como seus metabólitos estimulam o sistema nervoso central, agem sobre os rins como diuréticos, estimulam o músculo cardíaco e relaxam a musculatura lisa.

 A ação da cafeína está diretamente associada com a dose. Para um consumo baixo (85 a 200 mg) há um estímulo do cortex cerebral, produzindo efeitos como a redução do sono e da fadiga, sensação de bem-estar, euforia, aumento do alerta mental, da produtividade e da capacidade para manter um esforço mental por um período prolongado. Porém em excesso (acima de 250 mg), a cafeína pode provocar irritabilidade, insônia, aumento de ansiedade e distúrbios gastro-intestinais. Doses letais estão em torno de 50 mg/kg de peso.

 Veja na Tabela abaixo a dose correspondente aos alimentos mais consumidos que contém cafeína em sua composição:

Bebidas
 
Porção (mL)
mg cafeína
Café coado
240
80-135
Café expresso
60
100
Café Starbucks regular
460
259
Chá instantâneo
200
30
Coca Cola
360
45
Pepsi Cola
360
37
Red Bull
245
67
Red Devil
245
45

A cafeína reduz o sono principalmente através do bloqueio de receptores para adenosina. Entretanto os estudos mostraram uma grande variabilidade individual para essa resposta, inclusive porque é muito difícil encontrar um grupo populacional que não faça uso de cafeína na sua dieta. Por exemplo, 90% da população norte-americana consomem cafeína todos os dias. Porém, é de consenso científico que a cafeína, mesmo consumida em baixa dosagem (ex: xícara de café) cause distúrbio no sono, e que o aumento da capacidade mental seria na verdade apenas uma restauração dessa capacidade perdida por exemplo, por uma noite mal-dormida!!!!

Uma pesquisa recente mostrou que essa capacidade para manter um esforço mental por um período prolongado promovida pela cafeína pode ter futuras conseqüências negativas para o organismo.

Nos Estados Unidos, o órgão que controla alimentos e medicamentos (FDA), estabeleceu que refrigerantes poderiam conter no máximo 71 mg de cafeína numa lata de 350 mL. Entretanto, como essa legislação não é aplicada para os energéticos como o Red Bull, já foram encontradas marcas com até 505 mg/lata!!! O potencial tóxico desses produtos é muito alto, considerando-se que são consumidos principalmente por jovens adolescentes em combinação com bebidas alcoólicas.

Durante algum tempo a cafeína foi considerada agente de dopagem pelo Comitê Olímpico Internacional devido ao seu efeito ergogênico, uma vez que seu consumo em dosagens de 3 a 6 mg/kg proporcionava um aumento do desempenho em exercícios de longa duração, associado ao catabolismo aumentado de triglicerídios e uma redução da glicólise muscular. Porém, hoje em dia seu consumo foi liberado entre os atletas, provavelmente porque a dosagem ergogênica leva a concentrações urinárias muito abaixo do limite ilegal.

 

 Um outro aspecto importante é que há um neurotransmissor no cérebro conhecido como serotonina. O esgotamento da serotonina presente nos neurônios do núcleo rafe provoca insônia intensa, com o desaparecimento de sono REM, mais profundo. A cafeína pode diminuir a serotonina, reduzindo assim o fator fadiga central. Ë interessante que ocorre ausência de sonho após a inibição da síntese de serotonina e há enorme ocorrência de sonho assim que o “turn-over” da serotonina é aumentado.

Desta forma, se o seu objetivo é de manter-se alerta, um consumo moderado de café, guaraná, chá ou chocolate ou energético poderão ser úteis. Mas, cuidado! Há evidências atualmente de que até mesmo crianças e adolescentes já estejam ficando dependentes de cafeína.

 

Respondendo agora sua pergunta.....

Não encontramos nenhum estudo científico sugerindo o consumo de maçã para tirar a sensação de sono!

Ref.

Moreau, R.L.M.(2005). Cafeína e atividade física. In: Tirapegui, J. Nutrição, Metabolismo e Suplementação na Atividade Física. Editora Atheneu, São Paulo, pp.181-187.

Panorama do sono e dos sonhos. Revista da Psicofisiologia. Site: WWW.icb.ufmg.br

Roehrs, T. &  Roth, T. (2008) Caffeine: Sleep and daytime sleepiness. Sleep Medicine Reviews, 12, 153–162

Ataka et al. (2008). Effects of oral administration of caffeine and D-ribose on mental fatigue. Nutrition, 24: 233–238.

Reissig et al. (2008). Caffeinated energy drinks—A growing problem. Drug and Alcohol Dependence, in press.